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A transformação digital em Portugal nos setores da banca e dos seguros

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Têm sido realizadas várias edições das Saphety Talks, um ciclo de webinars dedicados a faturação eletrónica, realizado em parceria com a IDC, uma iniciativa que conta com a presença de operadores de referência em vários setores de atividade e com a qual a Saphety procura promover a partilha de experiências e discutir os principais desafios colocados pela transformação digital nas empresas e o papel desempenhado pela faturação eletrónica.

 

Uma destas edições foi dedicada aos setores da banca e dos seguros, que têm conseguido, nos últimos anos, adotar, de uma forma ágil, soluções de faturação eletrónica, com determinação e com a aposta em estratégias de transformação digital. Foram entrevistados representantes da IDC, da Caixa Geral de Depósitos e da companhia de seguros Tranquilidade.

 

Em representação da IDC, foi entrevistado Bruno Horta Soares, Leading Executive Advisor, tendo sido inicialmente questionado sobre qual é a visão da IDC para o próximo normal.  Bruno Horta Soares defende que o que nos espera no futuro será menos normal ou, pelo menos, não será igual àquilo que consideramos ser normal no passado. O mundo estará num processo de mudança, com mais incerteza e mais velocidade de mudança. O entrevistado refere que, de acordo com um estudo da IDC, publicado recentemente, até 2023, 60 % do PIB europeu será digital.

 

Bruno Horta Soares considera importante que as organizações comecem a investir, naturalmente de um modo mais direcionado e orientado para aquilo que será o próximo modelo de organização e não voltar ao modo de organização anterior, considerando novas formas de pensar, novos negócios e novos modelos de negócios. Atualmente, a maioria das organizações ainda estão, contudo, num modo de resiliência.

 

O entrevistado referiu que no âmbito de um estudo conduzido pela IDC, diversas organizações foram questionadas sobre em que fase estariam daqui a 12 meses. De um modo geral, a maior parte das organizações têm muita esperança de já estarem no novo normal nessa altura. Mais de 70% das organizações acreditam que daqui a 12 meses conseguirão achatar a sua curva de negócios e estarão a retomar esse próximo normal. Portanto, nesta visão de futuro já não nos estamos a referir à transformação digital propriamente dita, uma vez que as organizações perceberam que já não ser trata de arrancar com essa transformação, mas de criar uma organização diferente.

 

Questionado sobre quais seriam os temas da empresa do futuro em que melhor se enquadra a relevância da fatura eletrónica, Bruno Horta Soares destacou as pressões externas que estão muito na origem do que é a transformação digital e, ainda, a própria pressão da fatura eletrónica.

 

Existe, atualmente, uma grande centralidade no poder da informação, na sua importância e, sobretudo, esta pressão que as organizações passaram a ter. Se pretenderem estar na transformação digital, isso não tem a ver apenas com a sua transformação, mas com a capacidade de conseguirem integrar-se num ecossistema que se está a transformar. Ao fazer parte desse ecossistema o tema da confiança nas relações entre as partes torna-se muito importante. Já não poderá ser apenas uma confiança de transferência de ficheiros, tem de haver uma partilha muito mais próxima a outros níveis. A informação é poder, não pela sua retenção, mas pela sua partilha. As organizações perceberam que têm de partilhar muito mais os recursos e, em conjunto, gerir a parte digital e a física. Muitos dos fenómenos de transformação que estão a acontecer não são internos das organizações, ocorrendo precisamente nas relações entre estas. A principal ameaça é a do ecossistema mudar e evoluir a uma velocidade muito superior àquela em que a organização consegue evoluir.

 

Quando nos referimos à faturação eletrónica, é muito mais do que uma mudança interna, é também um olhar para fora. A fatura eletrónica está diretamente relacionada com um dos temas mais vibrantes, que é o dos pagamentos. Deverão ser evitados ciclos demorados de pagamento/recebimento. A fatura eletrónica permite uma maior rapidez nos ciclos de pagamento/recebimento. Com o sistema de faturação eletrónica, os pagamentos/recebimentos são realizados de um modo mais imediato, mais rápido, o que, por sua vez, conduz a uma aceleração enorme nos negócios. Portanto, a questão da pressão económica é muito importante. Bruno Horta Soares destaca, ainda, uma outra dimensão. É uma pressão acompanhar, mas também é uma pressão reconhecer esta situação como uma ameaça. O último fator externo que é destacado é a própria regulação. Cada vez mais estão a surgir novas pressões externas, novas leis, novos regulamentos para forçar a faturação eletrónica.

 

O principal highlight desta conversa será a rápida mudança atual e futura ao nível da organização empresarial muito assente nos sistemas de informação e na desmaterialização documental em todos os setores, com especial relevância para o da banca e seguros dada a sua dimensão e potencial complexidade.

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