ACEPI
11.10.2017

Investimento nas ferramentas certas é requisito para os consumidores entrarem “na viagem que é a revolução digital”

A passagem do físico para o digital vem responder às necessidades das novas gerações, mais impacientes e propensas à mudança. Mas, para esta desmaterialização acontecer de forma massificada, as empresas devem munir-se das ferramentas certas para potenciar os seus negócios.

Um dos sectores onde a revolução digital é bastante visível é no mundo dos pagamentos eletrónicos, como demonstrou Sebastião Lancastre, da Easypay, no painel E-payments and E-invoicing: “From mobile payment e ao next big thing”, partilhado com Pedro Bação, Business Development Manager da Saphety.

O responsável da empresa que atua na área dos pagamentos eletrónicos e que tem como principal objetivo facilitar as transações eletrónicas entre empresas, disse que “algo que antes afirmava com toda a certeza era que daqui a 20 anos iríamos deixar de ter cartões e dinheiro na carteira, mas agora acredito que veremos isso muito mais depressa”.

A transformação digital em curso foi fomentada pela diretiva PSD2 (Payment Service Directive) que veio normalizar, integrar e melhorar a eficiência dos pagamentos na União Europeia, ao mesmo tempo que oferece uma maior proteção ao consumidor.

O conceito de “faster and simpler” e de “levar a conta bancária dentro do smartphone” também será possível através da plataforma AbyPay, apresentada durante o Web Summit no ano passado.

Esta solução consiste na resolução do problema de “ter que andar com diferentes moedas sempre que viajamos” ao assentar no conceito das criptomoedas e da tecnologia de blockchaine apresenta novas funcionalidades, como por exemplo, transferências bancárias instantâneas, reembolsos e serviços de pagamento online, as quais são concretizadas em segundos, para qualquer região do mundo e em qualquer moeda, a custar apenas cêntimos para o utilizador.

A tecnologia MB Way também se sustenta na ideia de “ter o multibanco dentro do telemóvel e retirar o dinheiro do dia-a-dia”, permitindo fazer levantamentos sem cartão, compras na internet ou transferências online, explicou Teresa Mesquita, diretora do departamento de gestão de produto da SIBS durante o painel Soluções SIBS para fazer crescer o seu negócio.

Com mais de mil lojas, 350 mil utilizadores e 15 bancos a aceitar o MB Way é um processo que “ao garantir uma boa usabilidade e ao ter um momento de pagamento bem integrado, vai permitir aos retalhistas uma melhoria na taxa de conversão entre os visitantes de um website e aqueles que, efetivamente, chegam ao chek-out”, explica esta responsável.

“De 100 visitantes num site, só 2% chegam ao check-out, mas as compras online estão, de facto, a arrancar tendo-se passado, num ano, de um crescimento de 10% para 40%”, rematou Teresa Mesquita.

Também no mundo da faturação são muitas as vantagens da passagem do sistema manual para o eletrónico, como esclareceu Pedro Bação. Desde já, porque permite ultrapassar a elevada carga administrativa e morosidade por trás da faturação em papel, o que se traduz em mais qualidade, rapidez e eficiência. Por outro lado, o e-invoicing permite diminuição de custos quer para o emissor, quer para o recetor. “Neste processo de win-win, a poupança pelo emissor é de 6.6€ por fatura, enquanto que, do lado do recetor, chega aos 11.20€ por fatura”, lançou Pedro Bação.

Perante estes dados, levanta-se uma questão: porque não está ainda a e-fatura massificada? Pedro Bação apontou a dificuldade da adesão por parte dos fornecedores e dos clientes, a existência de diferentes abordagens, formatos e entendimentos entre os vários intervenientes e a necessidade de gestão da mudança do mundo do papel para o digital como os principais factores desse desafio.

Em Portugal, o novo Código dos Contratos Públicos introduziu na legislação portuguesa diretivas europeias que estipulam a obrigatoriedade da emissão de faturação eletrónica no setor da Administração Pública a partir de 1 de janeiro de 2018.

Investimento em novas ferramentas é uma necessidade

Para que a aceleração da mudança tecnológica e a expansão da atividade por parte das empresas se verifique, também é necessário que as mesmas adotem novas estratégias e ferramentas.

Na Chronopost, empresa do segmento de mercado do correio expresso, a adaptação às necessidades dos consumidores passou pela criação de um portal que permite a devolução de encomendas de forma simples e segura, o “return-my-parcel”, e pelo sistema Predict, um alerta interactivo ao destinatário do dia e hora de entrega da sua encomenda, podendo este alterar a data para até cinco dias úteis posteriores ou ainda escolher um dos pontos Pickup como novo local de entrega, esclareceu Carla Pereira durante o painel "Entregas de nova geração: Serviços para empresas e consumidores”.

João Palma, da DHL, falou do serviço Parcel, que abrange mais de 26 países e pretende tornar os envios de e-commerce para a Europa tão simples como se tratassem de entregas dentro do próprio país. “Com este serviço, o cliente pode decidir se pretende receber a sua encomenda em casa, selecionar um vizinho, ou escolher um dos mais de 54 mil pontos de recolha com os quais a DHL Parcel conta em toda a Europa”.

As lojas de proximidade também são uma tendência, com ambos os oradores a concordar que, apesar de implicarem um elevado investimento inicial e que dependem de “muita maturidade do mercado”, como serviço premium que é, o cliente está disposto a pagar por isso, pelo que o valor inicial irá diluir-se.

Do painel "Performance e Marketing automation: Amplificação, optimização, conversão ao longo da consumer decision journey” fizeram parte Rui Marcelino, Performance Sales, Christhophe Matos, KWANKO, Antoine Blanchys, MEDIAPOST e Hugo Marçal, da SENDIT, que mostraram como o uso de ferramentas como o SEO, SEA, SEM e a utilização dos canais corretos podem ajudar as empresas.

Para Rui Marcelino, a “página mais importante da internet é o Google com cerca de 40 mil pesquisas por segundo”, mas cerca de “80% dos utilizadores não navegam até à segunda página, preferindo reformular a pesquisa”. Daí que seja relevante optimizar e investir em estratégias para os motores de pesquisa, como a SEM, “a porta de entrada da internet”.

Christhophe Matos e Hugo Marçal defenderam a importância de “uma comunicação clara, simples, coerente e interessante”, com o representante da KWANKO a defender a utilização de técnicas como “num call-to-action deve usar-se sempre uma cor com contraste e, a cada canal deve corresponder uma landing page”.

Antoine Blanchys realçou a necessidade de de prestar atenção aos dados porque “os utilizadores estão cada vez mais tempo online, mas em canais desconexos” e a Salesforce Marketing Cloud é uma plataforma que ajudará as empresas a “conhecer melhor os seus clientes, a comunicar de forma mais eficaz, a aumentar as vendas, leads e conversões o que, num último passo, se vai traduzir na fidelização do cliente”.

A fase da repetição de compra por parte dos clientes é dependente do facto deste receber a mensagem certa. No painel "Medição e targeting: A mensagem certa, para a pessoa certa, no contexto certo”, João Nunes da Google, explorou o poder do ecossistema da empresa “como processo contínuo para optimizar a experiência dos utilizadores de uma forma simples, poderosa e flexível".

Marco António Silva, da Microsoft, afirmou que “interagimos com máquinas em diferentes layers há mais de 20 anos” e que “a democratização da Inteligência Artificial é a grande transformação digital que estamos a viver”, dando exemplos de áreas, como a assistência ao cliente, onde os chatbots e as assistentes inteligentes atuam atualmente.

Para Ester López, da DoubleClick, é necessário entender o público- alvo para as diferentes telas, canais e formatos porque “the industry is going programatic and mobile is the big responsible”.

 

Artigo original publicado na ACEPI, a 11/10/2017.

Subject: 2017, EDI & Electronic Invoicing, SaphetyDoc, Portugal